2 de abril é o Dia Mundial de Conscientização do Autismo.
A etiologia do Transtorno do Espectro Autista (TEA) ainda não está completamente estabelecida, mas há grande concordância na literatura de que sua base é neurobiológica de origem multifatorial, com um forte componente genético, combinado com a exposição do indivíduo a eventos ambientais, particularmente nos períodos pré e perinatais.
Estudos sobre transtorno do espectro autista (TEA), realizados desde 1985 relataram prevalência progressivamente maior (0.07 a 2.64%); sendo a melhor estimativa de prevalência atual de TEA entre 0,6% e 1,0%. A partir dos estudos, sabe‑se também que a distribuição de TEA por gênero se dá na ordem de uma menina para cada quatro meninos.
As Possíveis causas para esse aumento podem ser o maior conhecimento da população, menor idade ao diagnóstico e alterações nos critérios diagnósticos
A quinta edição do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM‑V) adotou o termo Transtornos do Espectro Autista (TEA) como categoria diagnóstica para se referir ao quadro clínico caracterizado por déficits persistentes na comunicação social e na interação social, na presença de padrões restritivos e repetitivos do comportamento, interesses ou atividades, condensando a antiga tríade sintomatológica em dois domínios.
Pensando no processo diagnóstico, como não existe um marcador biológico determinante, e sabendo‑se que o TEA constitui um quadro complexo e com diversas apresentações clínicas, faz‑se necessária a presença de uma equipe multidisciplinar experiente tanto para identificação dos casos quanto para sua assistência. O diagnóstico se baseia na anamnese, na observação direta da criança, nos exames psiquiátrico e neurológico além de exames complementares tais como uma tomografia por exemplo. Também podemos lançar de uma avaliação neuropsicológica, assim como podemos aplicar algum instrumento de rastreio para nortear a avaliação.
É importante saber que não existe uma abordagem única e determinante para o tratamento de todas as pessoas com TEA, já que as intervenções são complementares e devem ser realizadas concomitantemente, levando em conta as necessidades específicas de cada criança.
E por fim o mais importante: Identificação precoce dessas crianças. As Pesquisas científicas são promissoras ao indicar que a identificação precoce, seguida de uma assistência de qualidade, prediz um melhor prognóstico de crianças com TEA. A intervenção precoce é fundamental para possibilitar prognóstico mais favorável.
Neste Dia Mundial de Conscientização sobre o Autismo, vamos reafirmar nosso compromisso com um mundo inclusivo, equitativo e sustentável para pessoas com autismo.
Escrito pela Dra. Marjourie Dragoni de Arruda Biscaro